segunda-feira, 26 de maio de 2008

We Are The Stars Of The Fireworks

I can see you, can you see me?

Imperial

I can see you, can you see me?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

L'Allievo

I can see you, can you see me?

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Berengaria

I can see you, can you see me?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Veuve

I can see you, can you see me?

Thalatta

Villa de um Lord inglês em Cannes, fim-de-semana de coisas do inferno. Não me lembro de muito, apenas de cenas filmadas a preto-e-branco por Bruce Weber, cães a correrem por todo o lado, crianças belas e pouco vestidas, um Bentley Continental dos anos 50 e um quarteto de cordas a tocar na varanda em frente ao mar cristalino. Ah, o mar! Mergulho e quase me afogo enquanto na praia um bailarino caribenho de Pina Bausch faz poses de Vogue ao lado de Lady Violet McAvoy, de fato de banho vintage branco e copo de champagne na mão. Ela parece flutuar no sol de Agosto e ele parece uma criatura descarnada vinda de algures no cosmos. Deitados na plataforma de madeira presa ao largo da praia, a fumar, eu e os meus companheiros de ocasião parecemos um anúncio da Abercrombie & Fitch. Muita bebida, muita droga, duas modelos eslovenas que parecem ter doze anos, cobertas por absolutamente nada. Uma delas canta algo como um lalalalalalalalalala infindável, numa voz que mal se ouve. São anjos, evidentemente, diz Paolo. Francesca ri com gosto e olha para lado nenhum. São tão bonitas. Suspiro. Na praia, um mordomo vestido de negro serve sanduíches de salmão e pepino e mais champagne. A plataforma ondula suavemente ao sabor das poucas ondas que o Mediterrâneo consegue produzir. Mas são tão bonitas, diz Francesca, corpo voluptuoso banhado pelo sol. Pergunto-lhe se quer casar comigo. Naturalmente, responde ela, sem um pingo de ironia. Volto a mergulhar no mar que é tão bonito e nado até à praia. Os calções de banho Ferré que uso são maravilhosos e eu detesto-os. Ao subir a escada até à Villa no topo da colina, olho a água, dispo os calções e atiro-os ao abismo. Faço a minha entrada triunfal no Salão Napoleão, quero uma reacção de alguém ou de alguma coisa, mas o quarteto de cordas tem os olhos vendados. Visto-me de branco, o mordomo de pedra abre-me a porta e salto para dentro do Bentley Continental. Mais tarde, ao conduzir o mastodonte descapotável pela estrada à beira-mar, fumando um Dunhill, os óculos Prada a separarem-me do mundo, só me consigo lembrar daquela canção dos Pet Shop Boys, This Must Be The Place I Waited Years To Leave. Ah, o mar!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Revelée

Numa noite qualquer em Nova Iorque, a ouvir o Carl Craig, num Clube cujo nome não me lembro. Gosto muito do Carl Craig. De joelhos à minha frente, no escuro, uma boca qualquer faz o que tem a fazer. Tenho um copo de vodka na mão e os olhos semi-cerrados, a cabeça ao som do ritmo. Sinto que a minha vida é apenas um mau filme de um italiano dos anos 60, cheio de brilho e luxo e surpresas, mas sem significar absolutamente nada. Não sou capaz de amar nada nem ninguém por mais de trinta segundos. Estou rodeado de pessoas belas, jovens e disponíveis, na mesma situação que eu e isso não me alegra. Gosto do Carl Craig. Por enquanto. Quando sair daqui, vou copiar a cena da Sharon Stone e do futebolista inglês na abertura do Basic Instinct 2. Tenho o Spyker lá em baixo e a boca que está de joelhos à minha frente nem vai saber o que lhe acontece. A miúda até é gira, tem todas as qualidades que eu aprecio. Mas não quero saber dela para nada. Quero que ela se foda. Gosto do Spyker. Por enquanto. Há barulho, luzes, reflexos, espelhos, corpos, calor, movimentos sincopados, como se um conjunto de espectros bem vestidos tentasse divertir-se a todo o custo. Quero gritar e não me sai qualquer som da garganta. O costume. Acelero o Spyker pelas ruas de Nova Iorque, como numa cena realizada por Michael Mann. Não, nada disso, preciso de algo mais superficial. Esta cena está a ser realizada por Tony Scott. Sim, filtros, câmara ao ombro, brilhos e reflexos... Música de Carl Craig. Anti-climax. A miúda gira grita que se farta e estraga o ambiente. Páro o carro, numa nuvem de borracha e atiro-a dali para fora. O vestido John Galliano dela rasga-se e fica preso à porta, flutuando ao lado do carro enquanto acelero para fora dali. Apetece-me matar alguém. Limito-me a conduzir sem destino até se acabar a gasolina. Tenho 30 anos, sou rico, giro e a minha vida é um simulacro da vida de um ser humano real. Gosto da Sharon Stone, mas agora não me posso preocupar com isso. Over and out.